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Fará ainda sentido pensar e falar de Deus, hoje? Depois que os "mestres da suspeita", não aliás sem algumas fundadas razões, convenceram multidões de que Deus e a religião foram, durante milénios, um grande logro; depois da sua morte proclamada por Nietzsche e da verificação do seu óbito efectivo em tantos homens e mulheres que nele deixaram de crer, e aos quais a sua ausência parece não fazer grande diferença; num tempo em que o niilismo instaurado desde então proclama, a par com a morte de Deus, também a morte da razão e da verdade, da metafísica e da filosofia. Num tempo em que ser intelectual parece ter ine¬rente a exigência de ser agnóstico, tal como ser religioso soa a ser obscurantista, retrógrado e antimoderno. Mais ainda, depois de aparentes "provas" da inexistência de Deus ou, pelo menos, da sua falta de empenhamento pela causa humana, como foram as «pro¬vas» de Auschwitz, mas também do Gulag, de duas guerras mundiais e dos atentados do 11 de Setembro perpetrados in nomine Dei.
O facto é que, não obstante todas as batalhas perdidas, e por mais que, em muitos pensadores, ele seja um tema ausente ou apenas marginal, mais de cem anos decorridos sob o signo da «morte de Deus» e da marca aparentemente ateológica da cultura e da filosofia pós-mo¬dernas, como alguém observou, "o tema filosófico 'Deus' parece oferecer uma bem maior resistência à erosão que a maior parte dos outros conceitos ou problemas filosóficos".
Caminhos da razão no horizonte de Deus assume um repensar, com preocupação de método e de rigor filosóficos, aquela misteriosa realidade que se designa pelo nome de Deus, bem como as actuais crença e descrença nele.
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